sexta-feira, 14 de julho de 2017

LIVROS EUA e China estão destinados ao confronto?

O arsenal nuclear da China e dos EUA pode destruir o mundo (Foto: Pixabay)

Em 2 de julho, um contratorpedeiro de mísseis guiados da Marinha dos EUA chegou a 12 milhas náuticas de distância da ilha de Triton controlada pelos chineses no Mar da China Meridional, em uma operação de “livre navegação”, como protesto contra as reivindicações marítimas excessivas da China. A operação enfureceu o governo chinês e a tensão entre os dois países aumentou.

Graham Allison, um professor da Universidade de Harvard, acha que o mundo subestima o risco de um confronto catastrófico entre a China e os Estados Unidos. O grande historiador grego, Tucídides, escreveu em História da guerra do Peloponeso (431-404 a.C.) que “A ascensão de Atenas e o medo que Esparta sentiu de seu poder tornou a guerra inevitável”. Em seu novo livro Destined for War: Can America and China Escape Thucydides’s Trap?, Allison traça um paralelo entre a eclosão da violência causada pela ascensão de Atenas, com a China desafiando a ordem mundial dos EUA.

Em sua pesquisa, o autor examinou 16 casos semelhantes desde o século XV. Com exceção de quatro, os conflitos terminaram em guerra.Allison não afirma que o confronto entre a China e os EUA seja inevitável, mas acha provável que a tensão entre os dois países desencadeie uma guerra.

Essa conclusão alarmante baseou-se no pressuposto que a divergência entre o conjunto das regras globais dos EUA e os valores e os interesses da China são inconciliáveis. Entre os muitos pontos de atrito, Allison citou o impasse em relação a Taiwan, a morte do ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-un, sem deixar herdeiros, o que provocaria uma disputa em torno do arsenal nuclear do país, um grande ataque cibernético contra as redes militares americanas no Pacífico e as retaliações dos EUA destinadas a intimidar a China. Com Donald Trump na Casa Branca, Allison vê até mesmo a hipótese de uma guerra comercial ser o estopim de um confronto bélico.

No entanto, apesar das divergências entre os dois países, a tese geral de Allison é muito sombria. A China é uma superpotência cautelosa. Seus líderes têm um forte sentimento nacionalista, mas não manifestam intenção de fazer uma expansão militar no exterior. O estreito de Taiwan e o Mar da China Meridional são pontos de tensão perigosos. Mas, ao contrário das antigas grandes potências, a China não tem interesse em construir um império. Além disso, as guerras examinadas pelo autor realizaram-se antes da invenção das armas nucleares. O arsenal nuclear da China e dos EUA pode destruir o mundo e seus líderes têm plena consciência desse fato.The Economist

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